terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Necessidade de um redentor


A lenda dos hebreus conta, através da bíblia, que havia a necessidade de criar um Messias para acalentar o sofrimento de seu povo que vivia sob o julgo faraônico. Em Jr 23:5 e 33:15 há citações aludindo a vinda deste Messias descendente da casa de Davi e 400 anos após a profecia, nasce Jesus na casa de José. Lucas diz que José é filho de Heli, enquanto Mateus diz que o pai de José é Jacó. A justificativa para isto é o levirato, onde o irmão toma como esposa a própria cunhada viúva. Jacó, filho de Matã era meio irmão materno de Heli filho de Melchi mas como Heli morreu sem filhos, então José apesar de ser filho natural de Jacó, era filho legal de Heli. Apesar disto, os dois descendem de Salatiel que tanto ´pode ser filho de Neri, como filho de Jeconias o amaldiçoado (Jr 21:30). As diferenças de nomes podem acontecer se levarmos em consideração que Neri e Jeconias eram as mesmas pessoas, porém identificadas em livros com nomes diferentes, ou eram pessoas diferentes. Também poderia um, ter sido pai para manter a linhagem do outro, falecido.
O fato é, que autor algum pode garantir que Jesus era o Messias esperado na casa de Davi. José não poderia transmitir uma divindade que não possuía e Maria não herdou este direito. Se José não era o pai de Jesus, ele era fruto de um adultério. O Messias não poderia nascer em meio a tanta enganação, dúvidas e maldições. Além do mais como Messias ele não cumpriu as profecias. A saber: Miquéias 4:1-4, 4:3 – Isaías 2:2-4, 11:6-7,15 – Ezequiel 37:26,28-29 – 39:9 – 47:12 – Daniel 13:14.
Jesus não trouxe  o fim da violência nem para ele, não erradicou moléstias, não ajuntou o lobo com o cordeiro, a vaca com o urso nem o leão virou herbívoro. O Templo não fora reconstruído por que ainda não havia sido destruído. A África continua faminta enquanto a fome prolifera em outras plagas. O Rio Nilo não secou e as árvores só dão frutos em sua própria estação. Jesus não estabeleceu reinado algum da Dinastia de Davi, muito menos um, que nunca cessaria. Constantino, O Grande, no afã de enaltecer a crença monoteísta, fundiu os feitos de vários personagens místicos para criar um Messias.
Acredite num Jesus sem provas e será torturado eternamente. Ameaça no lugar de argumento...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Das abominações bíblicas


Há tempos eu percebi que a Bíblia é um compendio teológico conflitante direcionado às pessoas cultas e intelectuais. Nela, os atos descritos praticados pelos  hebreus orientados por seu Deus, cabendo ao eclesiástico ou sacerdote a santificação através do espírito, são os mesmos considerados  abominações quando praticados por  não cristãos sem a inspiração do Espírito Santo.
A exemplo cito; prostituição, adultério, pederastia e homossexualidade, incesto, ocultismo, despacho  e magia negra, jogo de azar, espiritismo e idolatria.
Levando em consideração que todo seguidor religioso tem por norma ser dirigido pelos dogmas e seu livro, devem conhecer cada capítulo citado em destaque e resolvi não copia-los. Em seqüência ao capítulo bíblico vem o ato contemporâneo.
A citação bíblica em ll Sam 11:4 – Para o infiel, isto é traição, adultério...
Em Gên 12:15-20 – Nós ateus denominamos o ato como prostituição e abominamos.
Em l Sm 18-1 – Em qualquer sociedade este é um crime de pederastia e um ato de homossexualidade.
Em Gên 11:27-29, 19:30-38, 20:12,.. Êxo 6:20,.. ll Sam 13: 2, 14, 28-29 temos a descrição incestuosa entre irmãos. Pai e filhas, tios e sobrinhas. Não necessita dizer que são crimes hediondos..
Êxo 20:10-25 – A arca da aliança feita em ouro e madeira nobre guardava as tábuas da lei contendo Os Dez Mandamentos, a vara mágica de Aarão e um vaso maná. Também representava a presença de Deus. Pela ostentação do ouro e o tamanho da adoração fica configurada uma verdadeira idolatria seguida do ocultismo abominada pelo autor da idéia .
Em Esdras 7:17 – Algumas religiões não cristãs dão ao ato o nome de despacho e são colocados no caminho do “Senhor”.
Em Êxo 29:15-25 – Todos conhecemos este ato como Magia negra.
Em êxo 28:30 – Temos o que hoje denominamos de sorte por lançamento de búzios.
Quando se fala em espiritismo, que é uma doutrina deísta apesar de condenada pelo cristianismo, notamos referências bíblicas veladamente dirigidas a ela, como em Jo 3:3  se referindo à reencarnação e que não  enalteça seus feitos porque a vida é eterna. Ro 6:23 e Ef 2:8-9.
A leitura da bíblia causa conflito por que o leitor a interpreta tomando como alicerce o seu próprio conhecimento inspirado pelo “Espírito Santo”. Não percebe que lenda não se interpreta.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Uma farsa denominada "Cristianismo"...

Quando, hoje, buscamos referências sobre o início do Cristianismo,  debruçamos nos documentos canônicos que constituem o chamado Novo Testamento, as Epístolas de Paulo, de Pedro, de João e de Tiago, e o Apocalipse de João. Subsidiariamente, podemos consultar os escritos do judeu romanizado Flávio Josefo, em especial sua obra Guerras Judáicas, e alguns parcos comentários sobre o nascente movimento dos cristãos feitos por escritores romanos muito depois da morte de Cristo. Mas é pouco lembrado, porém, que os textos oficiais do Novo Testamento foram estabelecidos como tais em uma época bastante posterior aos acontecimentos que envolveram a vida de Jesus e o trabalho desempenhado por seus discípulos diretos, pois o cânone oficial só veio a ser estabelecido em 397 d.C. durante o chamado Concílio de Cartago, Onde as diretrizes do que seria a teologia romana foram cristalizadas num desdobramento político que veio se fazendo desde que Constantino oficializou o cristianismo como religião oficial do Império. 
Em 312 dC Constantino converteu-se ao cristianismo e instituiu a tolerância a esta crença dentro do Império Romano Oriental e convocou o Concílio Ecumênico em Nicéia que foi de fundamental importância para a definição de dogmas. Mas a oficialização do cristianismo como religião do Império Romano só ocorreu mesmo, com Theodósio, que promoveu um dos momentos mais importantes da história do cristianismo e por consequência na formação da civilização Européia. Em 380 dC Theodósio permitiu a institucionalização do que hoje conhecemos como catolicismo.
Constantino quando estava criando a religião cristã aproveitou muito do que era creditado a Apolônio de Tiana e atribuiu a Jesus, assim ele fundiu "Jesus" com "Apolônio", criando então o Jesus que vemos na bíblia moderna. Jesus Cristo é um personagem de ficção, uma colcha de retalhos criada a partir de uma miríade de personagens e mitos da época, sendo que Apolônio foi um dos personagens que mais contribuiu com a construção da ficção Jesus. Isso foi feito por que o "Jesus" original (gnóstico) era muito sem sal, para ser aceito pela maioria das pessoas, foi fundido com esses vários personagens e mitos interessantes, para que ele, de personagem sem graça, virasse um super star.
Apolônio de Tiana nascido em 13 de Março de 2 a.C. e falecido em Éfeso, d.c. 98) foi um filósofo neo-pitagórico e professor de origem grega. Seus ensinamentos influenciaram o pensamento científico por muitos séculos após a sua morte. A principal fonte sobre a sua biografia é a "Vida de Apolônio", de Flávio Filóstrato, Apolônio também é citado nas obras "A Vida de Pitágoras", de Porfírio, e "A Vida Pitagórica", de Jâmblico. Acredita-se ainda que ele seja o personagem "Apolo", citado na Bíblia em Atos dos Apóstolos e I Coríntios. Apolônio de Tiana foi um "iluminado" que viveu numa época quase contemporânea a figura que hoje em dia chamamos de "Jesus", mas Apolônio pode ser a fonte verdadeira das afirmações extraordinárias que se faz na bíblia quanto aos "poderes" atribuídos a Jesus, aquilo de curar os doentes, fazer cego ver, aleijado andar, morto levantar vem dos mitos envolvendo Apolônio.

Um dos trabalhos de Apolônio de nome “Nuctemeron”,  que pode ser traduzido por “O livro de Deus que resplandece das trevas” é um tratado de cunho ocultista. Este tratado traz doze capítulos distribuídos com as doze primeiras horas do dia. Cada hora teria uma instrução específica para um grau de elevação espiritual. Dese modo, os ensinamentos desta obra são apresentados em linguagem velada, pois são ensinamentos de alto nível... Portanto, seria uma evidência de que Apolônio não apenas rondou os temas herméticos, mas como também fora um estudioso e praticante de modalidades distintas do ocultismo.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Destino ou Acaso?

Assim que somos gerados inicia-se a replicação do DNA onde contém todas as informações das nossas características herdáveis. Metade de cada um dos pais. Não é por acaso que temos olhos azuis ou cabelos encaracolados. O DNA replica nossas características fisiológicas mas também herdamos a parte mais estável e imodificável no aspecto genético da personalidade. Entretanto, enquanto dura a gestação, somos influenciados pela variação atmosférica, pressão barométrica e, também, pela alimentação da mãe,  pois somos vulneráveis a vírus e parasitas externos. O bater de asas de uma borboleta pode ter efeito catastrófico, mas após nascer nós somos únicos.
 Apesar de sermos parecidos fisicamente com parentes próximos não quer dizer que teremos personalidades similares. Somos influenciados por fatores que irão formar nossa personalidade como o ambiente, os valores morais, as crenças, as experiências afetivas e a socialização dependendo de nossos atributos físicos e mentais.
Não me venham querer provar que existem pessoas predestinadas a isto ou aquilo. São regidas por um destino que é um plano criado por Deus que não pode ser alterado pelos seres humanos. Entretanto o cristianismo não acredita em predestinação absoluta e defende que Deus presenteou o homem com o livre arbítrio. Há filósofos que consideram a expressão “livre arbítrio” absurda. Hobes diz que se este é um poder definido pela vontade, então ele não é livre nem não-livre.. É um erro atribuir liberdade à vontade.
Também não gostaria que aficionados por pseudo-ciência tentasse me provar que a posição relativa dos astros pode ser usada como informação sobre a personalidade e outros assuntos relacionados à vida humana. A astrologia já foi refutada por Carl Jung por não ter embasamento científico.

Tudo que acontece com o homem é fruto de sua vontade, determinação, perseverança ou acaso. Ele colhe o que cultiva. As flores que nascem em seu jardim não foram adubadas por Deus, assim como as urtigas germinadas não foi obra de Diabo.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A Ciência do absurdo

Os criacionistas acreditam que nada é por acaso. Tudo acontece por vontade de seu Deus que é onipresente, onipotente, onisciente e benevolente. Quando acontece uma calamidade ou desastre, a culpa é do livre arbítrio que lhes foi dado por Deus facultando-vos o direito de errar. São tão aficionados pela ciência do absurdo que quando são vítimas de alguma catástrofe com mortos e feridos, os parentes dos que foram a óbito afirmam resignados que seu Deus sabe o que faz. Era chegada a sua hora e galgarão o reino dos céus. Os parentes das vítimas que sobreviveram paraplégicos, amputados ou aleijados agradecem a Deus a bênção alcançada por haver poupado suas vidas. Todos agradecem a um Deus poderoso e benevolente.
Ora!...Ora! ... Já vi descarrilamento de trem, queda de avião de grande porte, naufrágio de transatlântico e até afogamento de submarino. Entretanto, ainda não vi manifesto algum de nenhum Deus assumindo a autoria de qualquer atentado. A ciência sempre descobre o motivo do sinistro. Um afastamento de trilho, uma avaria no sistema de comando, um iceberg na rota de colisão, um erro de projeto ou uma pane elétrica. Todas as causas por motivos técnicos  promovidos por humanos. Nenhuma causa atribuída ao Espírito Santo.
Meus amigos criacionistas de plantão. Por mais que vocês sejam teólogos exegéticos, não irão me convencer a entrar em estado de regressão para voltar à idade da pedra e venerar um criador fruto da lenda de um povo primitivo que ainda não sabia que a terra era redonda nem que existia um fantástico universo laico.
Me pedir para seguir esta entidade lhe entregando as rédeas do meu destino é o mesmo que exigir meu suicídio intelectual. É tornar inútil meu parco conhecimento. Não obstante, todos os domingos surgem alguns desavisados batendo à minha porta tentando me catequizar e dão com os burros n´agua.
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Será?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Urim & Tumim

Urim e Tumim é um nome dado a um processo de adivinhação utilizado pelos  israelitas para descobrir a vontade de Deus no período babilônico se iniciando com as ordens de Deus a Moisés quando este ordena a Moisés a construção do tabernáculo e como seria ornamentada a vestimenta divina de Arão, que seria seu meio de comunicação doravante. Seu telefone vermelho.. Este processo constava de duas pedras preciosas contendo o nome das doze tribos. Seis em cada uma. Em uma placa peitoral dobrada ao meio formando uma bolsa, ficavam as duas pedras que quando lançadas certos nomes se acendiam de acordo com as questões perguntadas.
Há a possibilidade dessas pedras serem apenas um elemento simbólico que representava um dom especial concedido ao sacerdote. Este processo de cartomancia, cleromancia, radiestesia ou adivinhação perdurou até o Rei Davi (Ed 2:63 – Ne 7:65)... Mas quando o Urim e Tumim não funcionava a contento, o insatisfeito profeta recorria a outros métodos também divinos. O Rei Saul fez uso do Urim e Tumim (I Sm 28:6). Ele consultou seu senhor mas este não lhe respondeu nem por sonho, por coincidências nem por profetas. Então o Rei Saul foi procurar a feiticeira, Pitonisa de Em-Dor. Se nada foi biblicamente comentado é porque o Rei Saul foi atendido.
Então, meus “irmãozinhos na fé”. Eu, como herege ateísta, ignóstico (ignóstico mesmo), sociofóbico religioso, vos conclamo a ler a bíblia. Esta mesma bíblia que está sob seu braço imóvel. Nela está contida os mandamentos que regem seus sonhos, suas vontades, seu caráter, sua fé, seu preconceito religioso e sua vontade de viver. Mas também, nela, está contida a descrição dos atos praticados pelos seus profetas sem preconceito ao candomblé, cartomancia, adivinhação por dados, lançamento de sorte. Seus profetas eram místicos ungidos tanto quanto são os nossos profetas João Paulo II, Valdemiro Santiago, Padre Cícero e tantos outros mercenários da fé inspirados pelo mesmo Espírito Santo.
Vou ajudá-los...
Êx – 28:30
Lev – 8:8
Nu – 27:21
De – 33:8

Atos – 1:26

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A Divina fobia social

Falo de religião porque estou cercado por teofóbicos que me instigam a refutar seus medos. De todas as mazelas, a religião é a pior com um tutor inexistente que ilustra uma lenda milenar.
O cristianismo é uma doutrina religiosa chefiada por um Deus com fobia social. Quando se trata do assunto Deus e sua existência, alguns fiéis falam que apenas sentem que ele existe, outros falam que ele se comunica através de telepatia, sonhos ou coincidências que acham ser sinais divinos. A medida que a humanidade evolui e o conhecimento vai tornando as pessoas mais inteligentes, é óbvio que diminui o contato de quarto grau com Deus. A comunicação com o divino é inversamente proporcional ao conhecimento. Vamos a exemplos cronológicos de comunicação com o Deus bíblico.
1 - No Jardim do Eden e pós Eden, Deus era um gerentão muito comunicativo. Dava ordens, esporros, castigos e ensinamentos diretamente a suas criaturas. Adão, Eva e prole. Até o dilúvio (2.370 a.C), ou seja; 1.600 anos após a criação, Deus batia papo com os míseros humanos sem qualquer cerimônia.
2 - A partir de Moisés a comunicação divina começou a ficar mais suntuosa. Deus aparecia através de arbustos chamejantes, montes trovejantes e só Moisés tinha o poder de se comunicar com ele.
3 – Após o fracassado esforço de Moisés em demonstrar a autoridade de Deus a um bando de “sem terra,” Deus reduz sua comunicação com humanos. Passou a relatar suas decisões através de Urim e Tumim apelando para sorte e adivinhações.
4 – Na época dos profetas Deus se comunica através de enigmas nos sonhos e miragens dos quais os profetas tentavam tirar algum proveito de acordo a suas imaginações e eram, eles próprios, os escritores dos relatos.
5 – Nos tempos modernos piorou. Deus passou a se comunicar através do Espírito Santo e revelações interpretadas por ungidos que fundam igrejas sendo suas sandices seguidas por um bando de fanáticos incultos. Também existem aqueles que acreditam  receberem desígnios de Deus através de manchas em vidros ou formatos de frutas.
Vou fazer meu primeiro é único pedido.
Deus, se você é onipresente e onipotente sabe quais são minhas fobias e tem o poder de amenizá-las. Peço que pare com este jogo de gato e rato e facilite as coisas para aqueles que querem acreditar  que você existe. Seja mais claro em vez de ficar dando ordens por metáforas interpretadas por quem pode impor milhões de dogmas possíveis.
Hoje, todos seus fiéis, ou não, teem email, facebook, msm, whatsapp. Por que é tão difícil entrar em contato contigo?”... Eu héin!!!

domingo, 19 de novembro de 2017

Agnosticismo

Não posso ser agnóstico... O termo é formado pelo grego “a” (não ou sem) e “gnossis” (conhecimento)... Sem conhecimento.
O termo foi usado pela primeira vez pelo biólogo inglês T.H.Huxley num de seus comentários sobre a questão da imortalidade pessoal em uma carta de 1860. “Não afirmo nem nego a imortalidade do homem. Não vejo razão para acreditar, mas, por outro lado não disponho de meios para refutar.”
A própria bíblia me ensinou a ser ateu. Minha descrença surge como consequência de certas qualidades que aqueles que creem acreditam ser parte da essência de Deus.
--   Onisciente
--  Onipresente
--  Onipotente
-- Onibenevolente

A partir daí deduz-se que Deus tem plena consciência de todo o mal que existe no mundo, que pode evitá-lo e que pode fazê-lo. Mas isto contradiz a realidade. Por isso, a menos que negamos a existência deste mal, devemos concluir que não existe este Deus, ou ele não possui as tais qualidades essenciais. Ele não sabe o que está acontecendo, não se importa ou nada pode fazer. É muito difícil conciliar o fato de que o mal ocorre no mundo com a existência de Deus como ele é concebido. É evidente que o mundo está cheio de coisas ruins; fome, cataclismas, terremotos inundações, assassinatos guerras, morte atroz de jovens e velhos, terrorismo. Qualquer pessoa que pudesse acabar com tudo isto num estalar de dedos e não o fizesse, seria considerado um monstro. Mas suponhamos que haja um poderoso ser que poderia pôr um fim a tudo isto num instante, um ser com poder, conhecimento e excelência moral ilimitados: Deus. Como pode este mal existir lado a lado com um Deus que tem, por definição, a capacidade de acabar com ele? Será que se o mal fosse evitado, o bem estaria ausente do universo?

domingo, 12 de novembro de 2017

O Valor da realidade

Existem vários tipos de realidades. A maioria das pessoas presume que a realidade ou é objetiva ou é subjetiva e que não existe uma terceira opção. Na realidade objetiva as coisas acontecem independentemente de nossas crenças ou sentimentos. A gravidade é uma realidade objetiva. Ela sempre existiu e afeta as pessoas que acreditam nela tanto quanto aquelas que ainda não acreditam. A realidade subjetiva depende de nossas crenças e sentimentos. Uma dor de cabeça, o amor, a fé em algo, são realidades subjetivas.
Entretanto existe um terceiro nível de realidade; a realidade intersubjetiva. As entidades intersubjetivas dependem da comunicação entre pessoas, e não da crença e dos sentimentos dos homens individualmente. Muitos dos mais importantes agentes da história são intersubjetivos. O dinheiro não tem valor objetivo. Não se pode comer, beber ou vestir uma nota de cem reais. Porém, como milhões de pessoas acreditam que ele tem valor, pode-se usá-lo para comprar alimentos ou roupas. Mas, se o Tesouro Nacional decretar a perda de valor da nota de cem reais, ela continuará existindo mesmo sem valor algum.
O valor da moeda não é a única coisa que pode evaporar quando as pessoas passam a não acreditar nela. O mesmo pode acontecer com leis, impérios e até deuses. Em determinado momento eles estão encabrestando o mundo e exigindo sacrifícios e, no momento seguinte não existem mais. Zeus e Hera foram poderosos na bacia do Mediterrâneo, entretanto hoje não tem autoridade alguma pois ninguém acredita neles.
Houve um tempo em que a URSS poderia destruir toda a raça humana mas deixou de existir às duas horas da tarde do dia 8/12/1991. Os líderes da Russia declararam: ‘Nós, a República de Belarus, a Federação Russa e a Ucrânia na qualidade de fundadores da União Socialista Soviética que assinou o tratado da união em 1922 estabelecemos por meio deste, que a União Socialista Soviética como sujeito de lei internacional e como realidade geopolítica deixa de existir”.

Quero ainda estar vivo quando o Papa promulgar sua mais aterrorizante e dolorosa encíclica anunciando que o Deus Cristão nunca existiu. O Deus de Abraão todo poderoso, onipotente, onisciente, onipresente foi fruto da imaginação de uma tribo monoteísta e tudo não passou de uma realidade intersubjetiva.  

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A Criação de amortais

Durante séculos a humanidade santificou algo que está acima ou além da nossa existência terrena e consequentemente foram bem tolerantes com a morte. Uma vez que o Cristianismo, o Islamismo ou o Hinduísmo insistira que o significado da nossa existência dependia da sina do pós vida e eles consideraram a morte como parte vital e positiva sem ênfase à vida. Humanos morriam porque assim Deus decretava, e o momento de sua morte era uma experiência metafísica. Era?... Quando um homem estava próximo a seu derradeiro suspiro, era a hora de convocar pastores, sacerdotes, rabinos, xamãs, fazer um balanço da sua vida e assumir seu verdadeiro papel no universo. Tente imaginar o Cristianismo, o Islamismo e o Hinduísmo em um mundo sem morte. O que seria também um mundo sem céu, inferno ou reencarnação. Histórias fantásticas descrevem a morte como uma figura envolvida em um manto negro com capuz empunhando uma grande foice. Um homem vive sua vida preocupando-se com mil coisas quando, subitamente, surge o “anjo da morte” tocando-lhe o ombro com seu dedo esquelético e diz: “Venha”!...  E o homem implora: Não!..Por favor! Espere mais um ano, um mês, um dia!!!... Mas a figura encapuzada sibila: “Você tem que vir agora”. E é assim que morremos.
A ciência e a cultura moderna têm uma visão totalmente diferente da vida e da morte. Não pensam que a morte seja um mistério metafísico nem tampouco a fonte do sentido da vida. Na verdade, para as pessoas evoluídas, a morte é um problema técnico que pode e deve ser resolvido. Na realidade ninguém morre porque uma figura envolta num manto negro bate em seu ombro, ou porque Deus assim decretou, ou porque a mortalidade faz parte de algum plano cósmico. Humanos morrem devido a alguma falha técnica. O coração para de bombear sangue. A artéria principal entope por acúmulo de gorduras. Células cancerosas espalham-se no fígado ou próstata. Germes multiplicam-se nos pulmões. E de quem é a responsabilidade por todas estas falhas técnicas?.. Outros problemas técnicos. O coração para de bombear sangue por falta de oxigênio suficiente no músculo cardíaco. Células cancerígenas se espalham porque uma mutação genética acidental reescreveu suas instruções. Germes se instalam nos pulmões porque algum portador espirrou no metrô. Nada metafísico. Somente problemas técnicos e todo problema técnico tem uma solução técnica. Não é necessário esperar a vinda de Cristo à terra para superar a morte. Alguns cientistas em laboratório podem fazer isto. As células cancerosas podem ser mortas através de quimioterapia. Os vermes dos pulmões podem ser extintos com o uso de antibióticos. Se o coração parar de bater é possível reanima-lo com medicamentos ou choques elétricos. Se a artéria principal entupir é possível desobstruí-la através de angioplastia com uso de stent. Se nada disto funcionar pode-se realizar o transplante de um órgão novo. A ciência ainda não tem solução para todos os problemas técnicos, mas não tardará o dia em que encontrará. O direito a vida não foi limitado.
Existem três maneiras de encarar a morte: Aceitá-la. Negá-la ou combatê-la. Nossa sociedade é dominada por pessoas que estão entre aceitá-la ou negá-la, mas há pessoas que preferem combatê-la. Mesmo a ciência proporcionando a criação de super-humanos eles serão amortais, e não imortais. Eles poderão morrer numa guerra, num acidente de trânsito e nada os trará de volta. Diferente de nós mortais, suas vidas não terão prazo de validade.